Antes do tema, alguns recados,
- Como sábado que vem é rolê, a redação é para ser entregue dia 30/04, dia de plantão, de novo durante a Manhã.
- Domingo de feriado, vai ter tema novo sim! Então, no dia 30 a entrega é de dois textos!
Por favor, coloquem nome e turma na redação de vocês.
Quem quiser entregar os outros temas (1 e 2), fique à vontade!
Qualquer dúvida, podem me enviar e-mail para nucci.rafa@gmail.com
- O texto deve ser escrito a caneta;
- A redação não deve ultrapassar 30 (trinta) linhas, nem ter menos que 7 (sete) linhas; e
- Não serão corrigidas redações que deliberadamente fugirem do tema proposto.
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TEMA 03
Texto 01
O Brasil era o último
país do mundo ocidental a eliminar a escravidão! Para a maioria dos
parlamentares, que se tinham empenhado pela abolição, a questão estava
encerrada. Os ex-escravos foram abandonados à sua própria sorte. Caberá a eles,
daí por diante, converter sua emancipação em realidade. Se a lei lhes garantia
o status jurídico de homens livres, ela não lhes fornecia meios para tornar sua
liberdade efetiva. A igualdade jurídica não era suficiente para eliminar as
enormes distâncias sociais e os preconceitos que mais de trezentos anos de
cativeiro haviam criado. A Lei Áurea abolia a escravidão mas não seu legado.
Trezentos anos de opressão não se
eliminam com uma penada. A abolição foi apenas o primeiro passo na direção da
emancipação do negro. Nem por isso deixou de ser uma conquista, se bem que de
efeito limitado. (Emília Viotti da Costa. A abolição, 2008).
Texto 02
O Instituto Ethos, em
parceria com outras entidades, divulgou um estudo sobre a participação do negro
nas 500 maiores empresas do país. E lamentou, com os jornais, o fato de que 27%
delas não souberam responder quantos negros havia em cada nível funcional. Esse
dado foi divulgado como indício de que, no Brasil, existe racismo. Um paradoxo.
Quase um terço das empresas demonstra a entidades seriíssimas que “cor” ou
“raça” não são filtros em seus departamentos de RH e, exatamente por essa
razão, as empresas passam a ser suspeitas de racismo. Elas são acusadas por
aquilo que as absolve. Tempos perigosos, em que pessoas, com ótimas intenções,
não percebem que talvez estejam jogando no lixo o nosso maior patrimônio: a
ausência de ódio racial. Há toda uma gama de historiadores sérios, dedicados e
igualmente bem-intencionados, que estudam a escravidão e se deparam com esta
mesma constatação: nossa riqueza é esta, a tolerância. Nada escamoteiam: bem
documentados, mostram os horrores da escravidão, mas atestam que, não a cor,
mas a condição econômica é que explica a manutenção de um indivíduo na pobreza.
[...]. Hoje, se a maior parte dos pobres é de negros, isso não se deve à cor da
pele. Com uma melhor distribuição de renda, a condição do negro vai melhorar
acentuadamente. Porque, aqui, cor não é uma questão. (Ali Kamel. “Não somos
racistas”. www.oglobo.com.br, 09.12.2003).
Texto 03
Qualquer
estudo sobre o racismo no Brasil deve começar por notar que, aqui, o racismo é
um tabu. De fato, os brasileiros imaginam que vivem numa sociedade onde não há
discriminação racial. Essa é uma fonte de orgulho nacional, e serve, no nosso
confronto e comparação com outras nações, como prova inconteste de nosso status
de povo civilizado. (Antonio Sérgio Alfredo Guimarães. Racismo e antirracismo
no Brasil, 1999. Adaptado).
Texto 04
Na
ausência de uma política discriminatória oficial, estamos envoltos no país de
uma “boa consciência”, que nega o preconceito ou o reconhece como mais brando.
Afirma-se de modo genérico e sem questionamento uma certa harmonia racial e
joga-se para o plano pessoal os possíveis conflitos. Essa é sem dúvida uma
maneira problemática de lidar com o tema: ora ele se torna inexistente, ora
aparece na roupa de alguém outro.
É só
dessa maneira que podemos explicar os resultados de uma pesquisa realizada em
1988, em São Paulo, na qual 97% dos entrevistados afirmaram não ter preconceito
e 98% dos mesmos entrevistados disseram conhecer outras pessoas que tinham,
sim, preconceito. Ao mesmo tempo, quando inquiridos sobre o grau de relação com
aqueles que consideravam racistas, os entrevistados apontavam com frequência
parentes próximos, namorados e amigos íntimos. Todo brasileiro parece se
sentir, portanto, como uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por
todos os lados. (Lilia Moritz Schwarcz. Nem preto nem branco, muito pelo
contrário, 2012. Adaptado.)
Com base nos textos apresentados
e em seus próprios conhecimentos, escreva uma redação de gênero dissertativo,
empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: O legado da escravidão e o preconceito
contra os Negros no Brasil.

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