Merenda tem carga histórica!

Olá,

Maio começou com a onda secundarista forte que anuncia um período de ressaca para governadores.
Diante desse grande acontecimento não podemos deixar a história brasileira de lado, história essa que viramos a cara e taxamos de chata, constantemente nos auto-anulamos exaltando a identidade europeia ou norte-americana.
A questão chave não é um ufanismo, idolatrar a pátria, e sim não enxergar que temos nossas revoltas populares tão ou mais bonitas que uma Revolução Francesa. Ensinam-nos que a politica brasileira acontece em um jogo lento e natural quando na verdade lutas são travadas todos os dias desde sempre.
A força dos estudantes foi uma grande aliada para a derrubada da ditadura civil-militar (1964-1985), para a redemocratização e para fazer pressão até acontecer a renúncia do ex presidente Fernando Collor de Melo (1992). Houve uma desarticulação dos estudantes que não mostravam suas caras desde 1992.
Em 2013 o Movimento Passe Livre por causa do aumento das tarifas em São Paulo de três reais para $3,20 o Brasil depois de muito tempo experimentou grandes manifestações populares, houve um ganho maior que a derrubada no reajuste das tarifas (em São Paulo e outras capitais), ganhamos a vivência coletiva e efetiva da população frente as questões politicas.
A esquerda e a direita entenderam que a articulação na rua pressiona, a educação seguia como pauta secundária das reivindicações dos grupos maiores, no ano de 2015 professores estaduais decidiram por uma greve que se arrastou por 91 dias sem aumento salarial ou melhora nas condições de trabalho. Foi a greve mais longa de professores em São Paulo, professores sem esperança, até que pouco tempo mais tarde um oficio determina um reorganização escolar. O que fazer se a voz deles não é ouvida? Ficar de braços cruzados? Os estudantes secundaristas de São Paulo em um ato de ousadia de quem faz pela primeira vez alguma coisa ocuparam as escolas e derrubaram o ofício.
Iniciou-se o ano letivo no estado de São Paulo e outro escândalo revolta, falta merenda, cade a merenda? Como assim não tem? A merenda é um direito? Cade o meu direito? Alguém desviou, alguém mandou para a Suíça o meu direito!
A corrupção tirou comida da boca de crianças e adolescentes, as hastags não foram o suficiente, a torcida do Corinthians perguntou "Quem vai prender o ladrão de merenda?" ninguém sabia a resposta.
Ocuparam o Centro Paula Souza, Etcs, Diretoria de Ensino, escolas, e gritaram "Ocupar é resistir".  Os secundarista ocuparam a ALESP (Assembleia Legislativa de São Paulo), a reintegração de pose no CPS foi suspensa, sem uso de armas não tem como tirar manifestantes, issome lembrou o Edson Luís que em 1968 protestava no Rio de Janeiro porque além da comida do restaurante universitário ser ruim era cara, levou um tiro a queima roupa e morreu.
A polícia na Ditadura Militar ofereceu bala de chumbo para matar a fome, a do governador Geraldo Alckmin oferece truculência a moda da casa.
Apesar dos estudantes secundaristas de São Paulo não terem acesso durante sua vida escolar da carga histórica que é ser aluno no Brasil, é certo que a História do Brasil não é monótoma e ninguém decide nada sozinho.

Finaliza-se o texto com uma pergunta que veio em uma máquina do tempo: “Bala mata fome?”

Link sobre a história do Edson Luís: http://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/edson-luis-de-lima-souto/ 


acesso dia 8 de maio.

Até a próxima,
Profª Lene - História do Brasil

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